Diário · 26.abr.2026

Cores de outono no Cerrado

Por que terracota, e não bordô.

Por que terracota, e não bordô.

Quando se fala em outono, vem logo o bordô. Vinho, marsala, aquele tom escuro que aparece nas vitrines do Sul a cada março. Faz sentido lá, onde o frio chega rápido e a paleta acompanha. Mas o outono em Patrocínio é outra história. Aqui ele é seco, dourado, e tem o cheiro da poeira fina que sobe da estrada de terra. A árvore não fica bordô. Fica cor de palha, cor de café torrado, cor de telha velha.

Por isso a coleção dessa estação tem terracota como acento, não vinho. É a cor da terra batida depois de uma chuva fraca, é o tom do tijolo que aquece a parede da Igreja Matriz no fim de tarde. Combina com o céu daqui, com o pelo do gado, com o pó da colheita. Não tenta importar um outono que não é o nosso.

Junto da terracota, a gente trabalha com cru, marrom tabaco, verde musgo seco. São cores que conversam com o cerrado em vez de ignorar ele. Uma blusa cor de creme com calça terracota é praticamente um retrato da paisagem em maio.

Vestir bem em cidade pequena passa por isso. Não copiar a estação que está nos editoriais grandes, e sim entender qual é a estação que cabe aqui. O guarda-roupa fica mais coerente, e a roupa dura mais. Cor que combina com o lugar não fica datada. Bordô em Patrocínio, em maio, nunca vai parecer tão certo quanto terracota.

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